Febraban Tech 2026: o que marcou a edição deste ano

por: credits

A cidade de São Paulo recebeu, por três dias, uma nova edição do Febraban Tech, um dos principais eventos de tecnologia e inovação da América Latina. Em 2026, o encontro contou com uma estrutura ampliada em mais de 70% e uma programação ainda mais extensa, reunindo 627 palestrantes em 220 painéis. De acordo com a FEBRABAN, o evento recebeu 70 mil visitas ao longo dos três dias, um crescimento de 20,7% em relação ao público registrado em 2025.

Sob o tema central “Agentes Inteligentes, liderança humana”, a inteligência artificial continuou sendo protagonista das discussões em mais um ano, mas os debates também deram destaque ao fator humano, à governança, à explicabilidade, contexto de dados e geração de valor. Essas discussões acompanharam os avanços tecnológicos e seus impactos sobre o sistema financeiro e as empresas.

O encontro reuniu autoridades, lideranças das principais instituições financeiras do país, executivos e referências em tecnologia. Entre os participantes, estiveram o presidente do Banco Central, CEOs de bancos e outros representantes importantes do setor.

Para trazer um panorama dos principais assuntos discutidos ao longo dos três dias, preparamos este conteúdo com os destaques do Febraban Tech 2026 e os movimentos que podem influenciar o futuro do mercado financeiro.

Boa leitura!

IA e liderança humana conduzem os debates do Febraban Tech 2026

A primeira parte da abertura do Febraban Tech 2026 foi conduzida por Denise Perotti, Diretora-Adjunta da Presidência e de Eventos da FEBRABAN. Em sua fala, ela destacou a posição de destaque do setor bancário brasileiro no cenário internacional, sobre a segurança das operações, do avanço da digitalização e pela busca contínua por um sistema mais eficiente e inclusivo.

A tecnologia foi apresentada como parte de uma transformação que vai além das ferramentas e soluções adotadas pelas instituições. Para Perotti, as pessoas que criam, desenvolvem e lideram essas iniciativas são parte fundamental desse processo. Sendo reforçado o papel do evento como um espaço de diálogo entre diferentes setores.

BC destaca avanço do PIX e desafios do sistema financeiro

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também participou da programação do evento dando continuação a abertura. A exposição do presidente do Banco Central se concentrou em questões macroeconômicas e estruturais do sistema financeiro.

Entre os destaques esteve o Pix, que consolidou seu papel como uma das principais ferramentas de inclusão financeira no país. Segundo os dados apresentados pelo Banco Central, o sistema somou 80 bilhões de transações realizadas e movimentou R$ 35 trilhões em 2025. Além de facilitar pagamentos e transferências, o Pix vem contribuindo para a bancarização da população de baixa renda, funcionando como uma porta de entrada para outros serviços financeiros.

O painel também abordou o comportamento do crédito e o endividamento das famílias brasileiras, com destaque para o uso do cartão de crédito. Dos 96 milhões de usuários de cartão no país, 52,8 milhões possuem dívidas ativas no rotativo ou no parcelado com juros. Nesse grupo, a média de comprometimento da renda chega a 54%.

A segurança dos meios de pagamento também esteve entre os pontos abordados. Diante dos desafios relacionados às movimentações fraudulentas, o Banco Central apresentou medidas recentes para ampliar a proteção do sistema, entre elas:

  • Desenvolvimento de sistema de alerta de movimentações atípicas no SPI
  • MED 2.0 (Resolução BCB n° 493)
  • Botão de contestação do MED (Instrução Normativa BCB n° 589)
  • Limite de R$15 mil para Pix e TED (Resoluções BCB n° 496, 497 e 498)

Transformação na forma como os bancos operam

A inteligência artificial esteve no centro de diversos debates do Febraban Tech 2026, e o avanço apresentado pelas instituições financeiras vai além da automação de tarefas simples. O painel sobre agentes inteligentes reuniu lideranças de grandes bancos para discutir como a tecnologia está modificando operações, experiências e modelos de negócio.

Entre os pontos em comum esteve a percepção de que a IA já faz parte da transformação estrutural do setor. No Itaú, anos de investimento em arquitetura e democratização de informações contribuíram para o desenvolvimento de uma experiência conversacional capaz de compreender o cliente de forma mais integral. No Nubank, a evolução passou pelo uso de machine learning preditivo até a adoção de IA generativa em diferentes áreas.

O Bradesco destacou ganhos de produtividade e personalização, com a BIA acumulando 74 milhões de transações realizadas via aplicativo e WhatsApp. Já o BTG Pactual utiliza IA em diferentes áreas para ampliar eficiência, produtividade e experiência do cliente. No Santander, a análise de informações com IA aparece como um caminho para desenvolver novos produtos e gerar valor para pessoas físicas e empresas.

A presença do fator humano foi um ponto recorrente no painel. As lideranças destacaram que ética, contexto e empatia não podem ser delegados à tecnologia sem o fator humano. Quanto maior a autonomia dos sistemas, maior também é a necessidade da supervisão e senso critico humano para que seja capaz de acompanhar a sua atuação e estabelecer limites.

Crédito entra em uma nova era de análise e decisão

As discussões sobre crédito mostraram como a evolução da inteligência artificial está acompanhada por uma mudança na forma de analisar clientes e empresas. No painel “A nova esteira do crédito na era da IA: da análise de risco à decisão”, especialistas discutiram como a combinação de diferentes fontes de informação pode ampliar a capacidade de avaliação, especialmente para pequenas e médias empresas.

Um dos conceitos apresentados foi a transição do “retrato” para o “filme”. Em vez de considerar apenas o histórico financeiro disponível, a análise pode incorporar informações públicas, de birôs, dados transacionais e do Cadastro Positivo para compreender a trajetória do cliente e projetar o  seu comportamento futuro.

Ao mesmo tempo, que o avanço trouxe novamente a questão da governança para o centro da discussão. A explicabilidade das decisões, a curadoria das informações e a qualidade dos dados utilizados pelos modelos são fatores fundamentais para reduzir erros e garantir maior controle sobre os resultados.

Fraudes exigem tecnologia e compreensão do comportamento humano

A evolução tecnológica também mudou a forma como as instituições precisam lidar com fraudes. No painel “Engenharia social e o desafio da proteção do cliente”, especialistas destacaram que os criminosos passaram a explorar cada vez mais os canais digitais e, principalmente, o comportamento das próprias vítimas.

A fraude se tornou mais interativa e customizada. Os anúncios, páginas e aplicativos falsos podem ser direcionados especificamente para determinados dispositivos e públicos. Enquanto os criminosos utilizam gatilhos emocionais como urgência e medo para induzir decisões impulsivas.

Nisso, a proteção não depende apenas de identificar uma transação suspeita. Uma das propostas discutidas foi a chamada “fricção do bem”: intervenções capazes de interromper o comportamento automático do usuário e criar um momento de reflexão antes que a operação seja concluída.

Os alertas, biometria facial e outras etapas adicionais podem ser acionados quando uma transação apresenta desvios em relação ao comportamento habitual. Porém, os participantes ressaltaram que não existe uma única solução capaz de eliminar as fraudes. A proteção depende de uma atuação coordenada entre instituições financeiras, empresas de tecnologia, telecomunicações, governo e usuários.

Dados e IA ampliam a personalização de produtos e serviços

Outro ponto presente nas discussões foi a necessidade de transformar informações em experiências mais relevantes para os clientes. No setor de seguros, por exemplo, o uso de IA e de informações contextualizadas pode contribuir para oferecer produtos mais adequados ao momento de vida e às necessidades de cada pessoa.

O debate mostrou que acumular grandes volumes de informações não é suficiente. É preciso compreender o contexto para evitar ofertas genéricas e reduzir atritos durante a jornada. A tecnologia pode contribuir para personalizar produtos, simplificar processos e até tornar mais acessíveis documentos tradicionalmente complexos, como as apólices.

A mesma lógica aparece em outras áreas do mercado financeiro: quanto maior a capacidade de compreender o contexto do cliente, maior a possibilidade de transformar informações em decisões e experiências mais relevantes.

Mas essa evolução também depende de transparência. Os participantes reforçaram a importância de deixar claro quando o consumidor está interagindo com uma inteligência artificial e qual benefício essa tecnologia oferece.

Open Finance avança, mas confiança e governança continuam no centro

O Open Finance também esteve entre os temas discutidos no evento, sobretudo em relação aos desafios de governança, interoperabilidade e segurança.

À medida que mais informações passam a circular entre diferentes instituições, se torna de fundamental importância estabelecer responsabilidades claras sobre coleta, armazenamento, utilização e proteção. O usuário também precisa compreender quais informações estão sendo compartilhadas, com quem e para qual finalidade.

A confiança aparece, como um dos principais fatores para a evolução do ecossistema, conforme as discussões no evento. O Open Finance tende a gerar valor quando o cliente percebe uma jornada simples, transparente e segura, além de compreender os benefícios de compartilhar suas informações.

Nesse processo, a educação financeira e letramento digital também ganham importância. O avanço da tecnologia não depende apenas da disponibilidade das ferramentas, mas da capacidade das pessoas de utilizá-las com segurança e compreender os seus impactos.

Tecnologia precisa gerar valor para o negócio

Ao longo dos três dias de Febraban Tech, uma mensagem apareceu em diferentes debates: implementar uma tecnologia não é suficiente para transformar uma operação, se o cliente não entende qual é o real valor para o seu negócio.

Essa discussão apareceu também nos painéis sobre dados e IA. Diante do grande volume de informações disponíveis, o desafio não está apenas em armazená-las, mas em identificar quais são relevantes para cada problema e transformá-las em decisões efetivas.

O mesmo princípio vale para a automação. Ao incorporar uma nova tecnologia, é necessário compreender a jornada, identificar a necessidade e avaliar qual solução realmente pode gerar valor.

O diferencial competitivo passa, então, menos pela simples adoção da tecnologia e mais pela capacidade de utilizá-la para resolver problemas reais, melhorar experiências e apoiar decisões.

Indicação de leitura | O que esperar do Febraban Tech 2026 e as tendências do setor financeiro

O que o Febraban Tech 2026 mostra sobre o futuro do mercado financeiro?

Os debates do Febraban Tech 2026 mostram um setor financeiro em uma nova etapa de transformação. A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica e passou a ocupar espaço em processos, produtos, decisões, segurança e relacionamento com clientes.

Ao mesmo tempo, a evolução da tecnologia trouxe questões que não podem ser dissociadas de sua adoção. A qualidade das informações, contexto, governança, segurança, explicabilidade e participação humana.

Credits no Febraban Tech 2026

A Credits também esteve presente no Febraban Tech 2026, acompanhando de perto as discussões que movimentaram o setor financeiro ao longo dos três dias de evento.

Os debates sobre inteligência artificial e agentes inteligentes, qualidade das informações e prevenção à fraudes reforçaram a transformação que já está acontecendo no mercado.

Para a Credits, acompanhar esses movimentos também significa buscar novas formas de apoiar as empresas diante dos desafios do ciclo de crédito. Combinando tecnologia, informações e expertise para contribuir com decisões mais eficientes e estratégicas em crédito, risco e cobrança.

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