Inadimplência atinge a máxima: o que está por trás deste cenário

por: credits

O ano de 2026 começou com um sinal importante para o mercado de crédito. Em janeiro, a inadimplência média das operações de crédito bancário a atingir cerca de 4,2%. Está é uma máxima da série histórica das estatísticas do Banco Central (BC) iniciada em 2011.

Por trás deste cenário de avanço está uma combinação de fatores macroeconômicos e estruturais, como juros elevados por período prolongado, aumento do endividamento das famílias e mudanças regulatórias. Isto é, levou a inadimplência média das operações de crédito bancário a atingir esta máxima. O cenário foi destacado em análise veiculada pelo Valor Econômico.

Visto que ao longo de 2025, o indicador de operações com atraso superior a 90 dias apresentou trajetória alta contínua. Nos três últimos meses do ano, a inadimplência já havia alcançado 4%, nível que também representava recorde até então.

o indicador de operações com atraso superior a 90 dias subiu ao longo de todo o ano de 2025. Isso porque nos últimos três meses deste mesmo ano, ficou em 4%, ou seja, nível também recorde.

Boa leitura!

Inadimplência alta: o que esse cenário reflete na carteira?

A piora dos indicadores também reflete uma mudança na composição das carteiras de crédito. Observa-se aumento da participação de linhas tradicionalmente associadas a maior risco, entre elas:

  • Cheque especial
  • Rotativo do cartão

Na questão do crédito com recurso livres, que reflete as operações livremente pactuadas pelo mercado, visto que a inadimplência subiu para 5,5%, depois de ter registrado 5,4% em dezembro.

Já no crédito direcionado, que inclui modalidades como financiamento imobiliário e rural, o índice avançou para 2,5%, frente aos 2,2% observados anteriormente. Esse comportamento indica que o crescimento do crédito continua ocorrendo, porém, acompanhado de maior pressão sobre a capacidade de pagamento dos tomadores.

O que o fator técnico sobre a elevação generalizada?

Além das condições econômicas, há também um componente técnico relevante que ajuda a explicar o aumento dos indicadores e torna o momento atual pouco comparável ao observado em 2017.

Em janeiro de 2025 entrou em vigor regra do BC (resolução 4.966), que modificou a forma como as instituições financeiras gerenciam o risco de crédito no Brasil. Assim substituindo o modelo de perda incorrida pelo de perda esperada. Visto que o modelo antecipa riscos e, ao ampliar o prazo para baixar crédito inadimplentes a prejuízo, faz com que os atrasos fiquem mais tempo nas carteiras.

Na prática, o aumento do indicador de inadimplência reflete também o período de adaptação das instituições ao novo modelo regulatório.

O cenário econômico e os juros

O Banco Central tem mantido a Selic em 15%, desde junho, maior nível em quase 20 anos. A expectativa é que o ciclo de cortes comece em março. Conforme a matéria, há uma preocupação com a deterioração na qualidade da carteira, sobretudo no crédito livre às famílias, com aumento da participação de linhas emergenciais. Preocupação que a Febraban vem mostrando em pesquisas recentes.

No levantamento recente mostrou que:

  • 79% dos bancos afirmam esperar que a inadimplência se estabilize em breve.
  • Enquanto, 21% acham que deve seguir em alta, pressionada pela desaceleração econômica, moderação do mercado de trabalho e piora no mix da carteira, com o aumento das linhas mais arriscadas.

O endividamento das famílias

Outro elemento relevante é o nível de endividamento das famílias brasileiras. Em dezembro, o endividamento das famílias atingiu 49,7% da renda. Isso representa um aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses e ficando atrás só da séria histórica, registrada em julho de 2022, que alcançou 49,9%.

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Qual a projeção das instituições financeiras?

Segundo a projeção das instituições financeiras é que a inadimplência da carteira livre feche 2026 em 5,2%, diante da expectativa de queda da Selic. De modo, abaixo do nível atual. No entanto, não foi feita a projeção para a carteira total pela entidade.

Mais de 60% dos bancos projetam que os juros básicos terminem o ano abaixo de 12,25%, o que poderia aliviar parcialmente a pressão sobre o crédito. Ainda assim, o cenário permanece dependente da evolução econômica e da qualidade das carteiras.

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O crédito e o papel da inteligência de dados

Em um cenário marcado por juros, maior endividamento e novas exigências regulatórias, a gestão de risco passa a ocupar posição ainda mais estratégica nas operações financeiras.

E nesses momentos, as instituições e organizações presam por análises mais aprofundadas do perfil de risco, monitoramento das carteiras e decisões baseadas em dados. Esses são fatores que contribuem para equilibrar o crescimento de forma concisa. As soluções da Credits contribuem para reduzir a exposição ao risco, melhorar a eficiência operacional e sustentar estratégias.

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Fonte: Valor econômico

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