A inadimplência atingiu uma alta histórica, segundo informações do Banco Central do Brasil (BC). Neste início de 2026, empresas e consumidores têm enfrentado dificuldades para honrar compromissos financeiros. Em outras palavras, o cenário tem sido desafiador para todos.
A inadimplência em empréstimos concedidos com recursos livres, operações em que bancos e clientes negociam diretamente as taxas, subiu para 5,5% em janeiro. Esse é o nível mais elevado desde agosto de 2017.
Em dezembro, o indicador estava em 5,4%, acumulando alta de 1,1 ponto percentual ao longo do ano. O período é marcado pela manutenção de juros elevados no país, o que pressiona tanto empresas quanto famílias.
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O nível mais alto de juros e inadimplência PJ
Havia expectativa de que o Banco Central começasse a reduzir a taxa Selic em janeiro, o que não ocorreu na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no ano.
O colegiado sinalizou que pretende iniciar um processo de corte de juros a partir de março, mas condicionado a sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica.
Em relatório divulgado recentemente, foi apontado que o país registra o maior nível de pessoas com dívidas desde 2017.
O cenário de juros elevados também tem refletido na disposição dos bancos em conceder crédito e na demanda por financiamentos por parte da população. As concessões do Sistema Financeiro Nacional caíram 18,9% em janeiro na comparação com o mês anterior.
O levantamento também mostrou que o endividamento médio por empresa aumentou no período de um ano. O valor passou de pouco mais de R$ 22 mil em outubro de 2024 para R$ 23,6 mil em outubro de 2025. Esse valor reflete uma média de 7,1 contas em atraso para cada CNPJ negativado.
Os setores com maior número de registros de inadimplência foram:
- Comércio (33%)
- Indústria (8%)
- Setor primário (0,9%)
- Outras classificações (3,1%)
Endividamento das famílias
Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a inadimplência entre as famílias também vem aumentando e atingiu 4,2% em janeiro, considerando atrasos superiores a 90 dias nos pagamentos.
Com isso, o endividamento das famílias, em dezembro de 2025, ficou em 49,7%, com alta de 1,3 ponto percentual no ano. O indicador considera a relação entre o saldo das dívidas e a renda familiar acumulada em 12 meses.
Já o comprometimento da renda, que mede a relação entre o valor médio das parcelas das dívidas e a renda média das famílias, chegou a 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 ponto percentual no ano.
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Qual o resultado do 4T25 dos bancos?
A temporada de divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) foi concluída. Nesse período, as instituições listadas na Bolsa de Valores apresentam seu desempenho financeiro mais recente, permitindo acompanhar a evolução de indicadores como lucro, rentabilidade e crescimento das carteiras de crédito.
Entre os principais bancos do país, os destaques dos balanços no 4T25 foram:
- Itaú Unibanco: lucro líquido de R$ 12,8 bilhões (13,2%) e rentabilidade (ROE) de 24,4% (2,3 p.p.)
- Santander Brasil: lucro líquido de R$ 4,08 bilhões (6%) e rentabilidade (ROE) de 17,6% (0 p.p.))
- Bradesco: lucro líquido de R$ 6,51 bilhões e rentabilidade (ROE) de 15,2% (2,5 p.p.)
- Banco do Brasil: lucro líquido de R$ 5,74 bilhões (-40,1%) e queda de 8,4 p.p. no ROE
Carteira de crédito
Cada instituição adotou estratégias próprias ao longo do período e enfrentou diferentes desafios. Isto é, o crédito segue sendo um componente importante, já que atua como complemento das atividades transacionais e de investimentos.
No caso do Itaú, a carteira de crédito total cresceu 6,0% em 2025 na comparação com 2024. No Brasil, o crescimento foi de 6,6%, com expansão em todos os segmentos:
- Pessoas físicas: 6,6%
- Micro, pequenas e médias empresas: 8,7%
- Grandes empresas: 5,2%
Já o Santander Brasil destacou a estratégia de prospecção orientada a dados, com redução do custo de aquisição de clientes e ofertas customizadas em tempo real. O banco também ampliou o uso do Open Finance para aprimorar a análise e oferta de crédito para PMEs e pessoas físicas.
No Banco do Brasil, a carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,3 trilhão em dezembro de 2025, com crescimento de 1,4% no trimestre e 2,5% em 12 meses.
O Bradesco, por sua vez, segue em processo de reestruturação operacional. Entre as iniciativas está a criação de uma unidade de negócios (BU) dedicada ao crédito e da área de gestão de portfólio. A carteira expandida do banco registrou crescimento de 11% na comparação anual.
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Gestão de crédito: tomada de decisão inteligente
O crédito desempenha um papel central nesse cenário. Um bom gerenciamento de riscos, aliado a análises mais detalhadas e monitoramento constante da carteira, é essencial para fortalecer a operação financeira.
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